Bem Estar

Atividade física: anti-depressivo pouco usado?


No mês de julho/2014 estamos com um ciclo de aulas práticas, uma mais legal que a outra!! Nessa semana foi de ginástica funcional com o educador físico certificado em TRX Eduardo Leitão e apoio do espaço Cris Braga, bem-estar do corpo e equilíbrio da mente. Perda calórica, fortalecimento muscular, superação de limites, motivação e risadas fizeram parte!! valeu time #ciclonovo pelo esforço, porque ninguém é tão bom quanto todos nós juntos!

E aproveitando, estamos no mês da Copa, época em que nossos corações estão voltados para uma das mais importantes competições esportivas da Terra. Trinta e dois países representados pelos seus esportistas e bilhões de pessoas no mundo torcendo e se emocionando com as vitórias, derrotas e logicamente gols.

Que o esporte mexe com o nosso estado emocional isso é fato, basta você ver um jogo, mesmo que não seja de sua seleção, que o envolvimento emocional é tremendo.

Quem aqui nunca se arrepiou com um título ou uma vitória?

Entretanto, as atividades esportivas não mexem apenas com as emoções do telespectador, mas também com o emocional do esportista. A maioria dos praticantes de atividade física relatam que ao final de uma corrida ou seção de treinamento, sentem-se melhores e mais bem dispostos.

Estudos epidemiológicos observacionais relatam que as pessoas que praticam atividade física apresentam menor risco de incidência de distúrbios mentais. Além do mais, adolescentes que se engajam em atividades físicas regulares possuem baixo risco em desenvolver depressão, sintomas de ansiedade e esquizofrenia

A maioria das doenças psiquiátricas ou aquelas que afetam o humor podem levar a déficits cognitivos dos pacientes, que afetam principalmente a memória, atenção, função executiva e processos perceptivos. Estes déficits têm uma influência negativa distinta sobre a capacidade dos pacientes em manter todas as suas atividades normais da vida diária e, portanto, representam um importante alvo terapêutico, que não podem ser tratados satisfatoriamente com os medicamentos disponíveis atualmente.

Assim, novas abordagens terapêuticas são necessárias, para alterar fundamentalmente os mecanismos neurais envolvidos nestes distúrbios. Um exemplo de nova abordagem terapêutica pode ser alcançada através de exercícios aeróbicos, e este parece melhorar o humor e também os déficits cognitivos, além de contribuir com o aumento no fluxo de sangue na estrutura do hipocampo (estrutura importante para a memória).

Uma revisão de diversos estudos que remontam a 1981, concluiu que o exercício físico regular pode melhorar o humor em pessoas com depressão leve a moderada e pode também contribuir no tratamento da depressão grave.

Outro estudo, publicado no Archives of Internal Medicine, em 1999, dividiu 156 homens e mulheres com depressão em três grupos. Um grupo participou de um programa de exercícios aeróbicos, outro tomou antidepressivo, e um terceiro fez ambos. Nas 16 semanas, a depressão havia diminuído em todos os três grupos. Cerca de 60% a 70% das pessoas em todos os três grupos não mais poderia ser classificada como tendo depressão maior. De fato, os resultados do grupo em duas escalas de avaliação de depressão eram essencialmente o mesmo. Isso sugere que para aqueles que precisam evitar os medicamentos, o exercício pode ser um substituto aceitável ao antidepressivo. Tenha em mente, porém, que uma resposta mais rápida ocorreu no grupo que utilizava antidepressivos, e que pode ser difícil se manter motivado a se exercitar quando você está deprimido.

Um estudo acompanhou o grupo do artigo da Archives of Internal Medicine, os pesquisadores descobriram que os efeitos do exercício foram mais duradouros do que os de antidepressivos. Eles também publicaram que as pessoas que se exercitavam regularmente após a conclusão do estudo, independentemente do tratamento que estavam seguindo originalmente, eram menos propensos à recaída a estados depressivos.

Porém, gostaria de deixar claro que cada paciente tem uma intervenção específica com relação ao seu tratamento e toda e qualquer iniciativa deve antes ser conversada com o especialista.

Mas como o exercício atua?

Várias hipóteses psicológicas têm sido propostas para explicar os efeitos benéficos da atividade física sobre a saúde mental, dentre elas podemos citar a distração, a auto eficácia (em psicologia, a convicção de uma pessoa de ser capaz de realizar uma tarefa específica), e a interação social.

A hipótese de distração sugere que o desvio do pensamento a estímulos desfavoráveis pode levar a uma melhora no humor durante e após o exercício.

A hipótese da auto eficácia propõe que, uma vez que o exercício físico pode ser visto como uma atividade desafiadora, a capacidade de ser envolvido com ela de maneira regular pode levar a melhora do humor e da autoconfiança.

Com relação à hipótese de interação social, as relações sociais comumente inerentes a atividade física, bem como o apoio mútuo que ocorre entre os indivíduos envolvidos no exercício desempenham um papel importante nos efeitos do exercício sobre a saúde mental.

Além disso, hipóteses fisiológicas também foram levantadas para explicar os efeitos da atividade física sobre a saúde mental, as duas mais estudadas são baseadas na atividade das monoaminas e endorfinas.

A primeira hipótese é apoiada pelo fato de que a atividade física aumenta a transmissão sináptica de noradrenalina, que, supostamente, funcionam da mesma maneira como as drogas antidepressivas.

A segunda hipótese, no entanto, baseia-se na observação de que a atividade física faz com que haja um aumento na liberação de opióides endógenos (endorfinas – “morfinas endógenas”). Supostamente, os efeitos inibitórios dessas substâncias no sistema nervoso central são responsáveis pela sensação de calma e melhora do humor após o exercício, e talvez também sejam responsáveis pelo aumento da irritabilidade, agitação, nervosismo e sentimentos de frustração relatados por indivíduos fisicamente ativos quando estes param e se abstém da prática de exercícios físicos, o que para muitos cientistas deve-se ao estado de abstinência da endorfina.

Mas a nível celular como o exercício afeta a ansiedade e outros estados emocionais?

Os pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde dos EUA realizaram um estudo que reuniram dois tipos de camundongos machos. Alguns eram fortes e agressivos (alfas); os outros eram calmos e submissos. Camundongos machos na natureza são solitários e territoriais. Assim, quando os camundongos submissos foram colocados nas mesmas gaiolas com os roedores alfa, separados apenas por uma divisória transparente, os roedores alfa agiram com agressividade. Eles empregaram nos animais submissos todos as técnicas de intimidação, sendo que em alguns momentos, os mesmo tiveram que ser contidos para não prejudicar fisicamente os camundongos menores.

Depois de duas semanas de convivência, muitos dos camundongos submissos estavam debilitados mentalmente. Quando os pesquisadores os testaram em uma série de situações estressantes longe das gaiolas, os animais submissos responderam como os cientistas chamam de “comportamento similar ao de ansiedade”. Eles congelaram ou corriam para os cantos escuros, quando analisados. Tudo parecia intimidá-los. Na verdade, esses camundongos estavam tornando-se deprimidos devido ao estresse repetido.

Contudo, isso não era visualizado em um subgrupo de animais que tinham acesso a rodas de corrida, várias semanas antes de serem alojados com os camundongos alfa. Estes animais, embora submissos quando confrontado com as intimidações, comportaram-se muito bem mentalmente quanto ao estado de ansiedade. Eles não congelavam ou se escondiam em espaços escuros em situações estressantes, muito pelo contrário, eles exploraram e pareciam resistentes ao estresse.

Nós sabemos que a vivência de repetidas situações estressantes em humanos pode levar a transtornos de ansiedade e depressão. Mas um dos mistérios da doença mental é o por que algumas pessoas respondem patologicamente ao estresse e alguns parecem ser resistentes.

Para discernir o que era diferente fisiologicamente nos animais resistentes ao estresse, os cientistas analisaram as células do cérebro usando diversas técnicas. Eles determinaram que os neurônios situados na parte do córtex pré-frontal medial dos roedores, uma área do cérebro envolvida no processamento emocional em animais e pessoas, tinha maior atividade do que outras estruturas cerebrais, como por exemplo a amígdala, que é conhecida por ser uma estrutura relacionada com os sentimentos de medo e ansiedade.

Os animais que não tiveram acesso a roda de corrida antes de dividir a gaiola com os roedores alfas, mostraram muito menos atividade neuronal nesta área do cérebro.

Em resumo, o exercício regular tem a capacidade de melhorar o seu humor, porém ele também oferece outros benefícios para a saúde, como a redução da pressão arterial, proteção contra doenças cardíacas, acidente vascular encefálico, câncer, além de aumentar a autoestima.

Quantas vezes ou qual a intensidade que você precisa se exercitar ainda não está claro, mas para a saúde geral, os especialistas aconselham a obtenção de meia hora a uma hora de exercícios moderados, como caminhada rápida, em todos ou na maioria dos dias da semana.

Entretanto, a diferença entre o remédio e o veneno está na dose, e o mesmo acontece com o exercício físico. O novo Manual de Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais já inclui vícios comportamentais e além do jogo, o exercício físico hoje aparece como uma atividade que pode ser considerada como viciante.

Com base em revisões literárias de uma gama de estudos sobre dependência ao exercício, estima-se que a prevalência na população em geral esteja em torno de 3% (este número continua crescendo).

Então, o que distingue o ginasta entusiasta que pratica atividade todos os dias de alguém viciado em exercício?

Será que podemos considerar o treinamento do atleta de elite para as Olimpíadas como sendo um vício?

E o corredor dedicado, que adiciona cinco quilômetros extras em sua corrida após o almoço em um restaurante fast food?

Os pesquisadores identificam a dependência à exercícios com base na apresentação de TODOS os seguintes critérios:

• Tolerância: o aumento da quantidade de exercício, a fim de sentir o efeito desejado, seja ele um “Buzz” ou sensação de realização;

• Retirada: na ausência do exercício a pessoa experimenta efeitos negativos, tais como ansiedade, irritabilidade, inquietação e problemas do sono;

• Falta de controle: sem sucesso na tentativa de reduzir o nível de exercício ou deixar de exercê-lo por um determinado período de tempo;

• Efeitos de Intenção: incapazes de manter uma rotina devido a quantidade de tempo dedicado ao exercício, ou ir constantemente praticando além do limite;

• Tempo: uma grande parte do tempo é gasto se preparando, envolvendo se, e se recuperando do exercício;

• Redução em outras atividades: como um resultado direto do exercício as atividades sociais, ocupacionais e/ou recreativos ocorrem com menos frequência ou são interrompidas;

• Manutenção: continua a exercer a atividade apesar de saber que está criando ou agravando problemas físicos, psicológicos e/ou interpessoais.

Sendo assim, quando o exercício físico for recomendado com intuito de promover efeitos positivos, é bom ficar atento para que o esquema de exercício recomendado não seja ultrapassado, assim, você será capaz de usufruir o que o exercício físico tem a oferecer de melhor para sua saúde.

Que tal começar a sacudir o esqueleto agora mesmo? Mais do que ouvir falar, experimente!

Por Bruno Araújo - Instituto Vida Saudável (adaptado por Graziela Caproni).

Referência:
Freimuth M1, Moniz S, Kim SR. Clarifying exercise addiction: differential diagnosis, co-occurring disorders, and phases of addiction. Int J Environ Res Public Health.;8(10):4069-81, 2011.
Harvard Health Publications, with Michael Craig Miller, M.D., Assistant Professor of Psychiatry, Harvard Medical School. 49 pages. (2013).

Lehmann ML1, Herkenham M. Environmental enrichment confers stress resiliency to social defeat through an infralimbic cortex-dependent neuroanatomical pathway. J Neurosci.;31(16):6159-73, 2011.
Scully D1, Kremer J, Meade MM, Graham R, Dudgeon K. Physical exercise and psychological well being: a critical review. Br J Sports Med. ;32(2):111-20, 1998.



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