Entrevistas

Entrevista Dr. Tommaso (psicoterapeuta da boa-forma, articulista da Revista Boa Forma, coluna


Entrevista Dr. Tommaso

(Psicoterapia da Boa Forma)

http://www.tommaso.psc.br/site/

 

O que levou você a se interessar em trabalhar com mulheres que são modelos?

 

Eu atendia esporadicamente algumas modelos e me surpreendia com as narrativas que faziam, com a exigência de magreza, com a insatisfação com o próprio corpo. Mas, eram casos clínicos. Queria conhecer mais a profissão e, sendo especialista em transtornos alimentares e emagrecimento, estabeleci um projeto de prevenção com as agências de modelo. Aí comecei e me interar da realidade dessas meninas. São cerca de 3 600 modelos entrevistadas e acaba por se constituir uma especialidade. Mais tarde fiquei sabendo que era pioneiro mundial no atendimento psicológico de modelos. Mas, claro, não é só isso que faço na vida.

 

De acordo com sua experiência clínica, você acha que existe alguma pessoa que está realmente satisfeita com sua própria aparência?

 

Há uma enorme insatisfação feminina com a própria aparência. Não só na clínica, mas pesquisas mostram isso a todo momento. Segundo uma pesquisa de 2004 efetuada pela Dove em 10 países , somente 2% das mulheres de todo o mundo se definiram como bonitas. E no Brasil somente 1 %!!! Fiz uma pesquisa entrevistando modelos de 18 anos em diante, para minimizar o fator adolescência. Todas queriam emagrecer! Em média 3 kg. A média das notas que deram para o próprio corpo foi 6,3 e para o rosto 7,2. 95% fariam cirurgia plástica se pudessem! Se comparadas com os números da pesquisa da Dove (53% das brasileiras faria cirurgia plástica se pudesse), as modelos, detentoras do tal “padrão” de beleza, estão mais insatisfeitas...

 

Por que as pessoas em geral sofrem tanto com a aparência?

 

Os “padrões” de belezas impostos pela mídia estão aí. Mulheres altas, magras, lindas, mas autênticas exceções genéticas são apontadas como “padrão”. Padrão, estatisticamente falando, é um atributo que 50% das pessoas possam ostentar. Então a inteligência do Einstein é fantástica, mas não é padrão. Correr 100 m em 9 segundos , como o Bolt, é extraordinário, mas não é padrão. O biótipo de uma modelo ocorre em 0,5 % da humanidade...Então, o “padrão” não é padrão, mas imposto como tal. Além disso, modelos são mulheres escolhidas a dedo, que passam por uma produção antes e depois do trabalho. Fotografam centenas de fotos para a escolha de duas, filmam horas para cerca de 20 segundos de aparição. Como disse a Cindy Crawford “antes de ficar duas horas com o cabeleireiro e com o maquiador, nem eu pareço com a Cindy Crawford”. A menina de 40 anos atrás era comparada com a menina mais bonita da classe, hoje com as mulheres mais bonitas do mundo...

 

Há muitos problemas alimentares entre as modelos realmente? E entre então "mulheres comuns"?

 

Pela exigência absurda da moda, o quadril de uma modelo não pode ultrapassar 90 cm...Para alguns “gênios” estilistas, 88 cm...Então, para poderem trabalhar, várias meninas fazem dietas malucas, tomam remédios, fazem jejum e apresentam outros comportamentos de risco. 25 % das modelos apresentam esses comportamentos. Se houverem outros fatores poderão desenvolver um transtorno alimentar. Modelos, bailarinas, atletas, atrizes são profissões de maior risco. Mas as não modelos também estão insatisfeitas. Reparem que o peso estético (aquele que a mulher acha que deveria ter) cada vez mais se afasta do peso clínico.

 

Há uma diferença entre a auto-imagem do homem e da mulher? Quem é maisfeliz ou mais tranquilo?

 

O homem, ainda, está menos afetado. A preocupação maior é com massa muscular. Não sei como será daqui 30 anos. Mas, para a mulher, o “corpo ideal” é critério de inclusão...

 

A mídia é prejudicial à psiquê feminina (à saúde emocional) delas? E o mesmo acontece com a psiquê masculina?    

 

A mídia é poderosíssima. Onde chegam os valores ocidentais a preocupação estética cresce exponencialmente. Há um estudo famoso feito pela Universidade de Harvard em 1995 nas Ilhas Fiji, Pacífico.  Annie Baker entrevistou as moradoras e não havia grande preocupação com peso, dietas, forma física. Naquele ano a televisão começava a circular na Ilha. Em 1998, 3 anos após, 79 % das mulheres faziam dieta e 1/8 tinha bulimia...

 

O fato de a pessoa se cuidar na alimentação e o amor-próprio estão ligados? Como?

 

A busca da saúde, da qualidade de vida, é um dos fundamentos da autoestima. Para que tenhamos saúde, alimentação saudável, atividade física e equilíbrio emocional são fundamentais.

 

Como podemos ser pessoas mais felizes e não tão preocupados com a aparência, mas sim, desfrutando da vida?

 

Utilizando a estética como um meio e não como um fim em si própria. Buscando a beleza de cada uma e não a de quem quer que seja. Desenvolvendo a identidade estética. Investindo nos próprios diferencias estéticos, naquilo que sãs torna únicas.

Compreendendo que mais do que ser ou estar, é preciso SENTIR-SE bonita e isso é uma percepção baseada na autoestima. Num sentido amplo, ser bonita é ser feliz.

 

Dr. Marco Antonio De Tommaso
- Psicólogo e psicoterapeuta pela Universidade de São Paulo
- Atuou no IPQ HCUSP em pesquisa e atendimento
- Credenciado pela Assoc Bras para estudo da obesidade
- Psicólogo da Agência L'Equipe de modelos
- Colunista da Revista Boa Forma "No Divã"
- Consultor do site www.giselebundchen.com.br/estilo


Rua Bento de Andrade 121, Jardim Paulista São Paulo 04503-010

3887 9738 www.tommaso.psc.br tommaso@terra.com.br

blog http://tommasopsicologia.blogspot.com/

Clínica Tommaso: "Deixando de estar aprendendo a ser"

 

A Ciclo Novo agradece imensamente a disponibilidade do Dr. Tommaso em nos ajudar a entender melhor a profundidade do ser humano, para que possamos nos aprimorar enquanto profissionais e enquanto seres humanos. Para que possamos melhor auxiliar aqueles que tanto precisam de uma luz!



"Ninguém é tão bom quanto todos nós juntos!"

CICLO NOVO



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